Sudeste da Europa enfrenta crise energética devido à onda de calor

Sudeste da Europa enfrenta crise energética devido à onda de calor

Os níveis extremamente baixos dos principais rios da Europa estão a afetar a produção de energia, os transportes e os lucros das empresas, alimentando receios sobre o impacto económico do calor intenso e das chuvas irregulares.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Imagem aérea mostra baixo nível da água do rio Danúbio, na Croácia | Antonio Bronic - Reuters

Do movimentado porto de Roterdão às centrais hidroelétricas na Sérvia, as vias navegáveis tornaram-se uma forma menos fiável de transportar mercadorias como cereais e petróleo, ou de produzir eletricidade.

A produção de energia nuclear na Hungria e de energia hidroelétrica na Sérvia caiu devido aos níveis recorde de baixa da água ao longo do rio Danúbio, que atravessa grandes cidades como Viena, Budapeste e Belgrado no seu percurso da Alemanha até ao Mar Negro.

Na Hungria, a central nuclear de Paks, que gera quase metade da eletricidade do país, vai ser desligada esta segunda-feira devido aos baixos níveis de água no rio Danúbio – uma “situação inédita em 44 anos”, disse o primeiro-ministro húngaro.

Na Sérvia, a produção da maior central hidroelétrica do país, Djerdap 1, caiu para 20% da capacidade, disse o diretor de produção da central, Davor Maljokovic, à Reuters, uma vez que o canal de navegação junto à central encolheu, expondo bancos de areia e cascalho. A falta de água também afetou os sistemas de refrigeração das centrais termoelétricas a carvão de Kostolac, na Sérvia, obrigando-as a interromper a produção.

"Ao longo dos meses de maio, junho e julho, tivemos a menor produção nas centrais de Djerdap desde que entraram em funcionamento", na década de 1970, indicou a ministra da Economia sérvia, Dubravka Djedovic Handanovic, precisando que o caudal atual ronda os 1.500 m³/s, equivalente a níveis mínimos registados em 1985 e 2003.

A Nuclearelectrica, produtora estatal de energia nuclear da Roménia, também teve de desligar um dos seus dois reatores no início desta semana pelo mesmo motivo, e espera-se que o segundo siga o mesmo caminho em breve, o que poderá privar o país de um quinto das suas necessidades de eletricidade.

As forças navais romenas realizaram, esta segunda-feira, uma explosão controlada para desviar um grande volume de água para o Velho Danúbio e para a central nuclear de Cernavodă, de forma a ajudar no seu arrefecimento.

Segundo os jornais locais, foram utilizados cerca de 180 kg de explosivos para remover uma grande rocha que estava a obstruir o fluxo de água.

A França também teve de reduzir a geração de energia nuclear devido aos baixos níveis de água ou ao aumento da temperatura dos rios.
Leste da Europa prepara-se para onda de calor
A onda de calor que atingiu a Europa Ocidental na semana passada está agora a deslocar-se para leste, com grandes áreas da Europa central e meridional a prever temperaturas extremas próximas a 40°C.

O primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, alertou que "os cinco dias mais difíceis ainda estão por vir".

Esta segunda-feira, os termómetros em Budapeste e Viena poderão chegar aos 37°C, com Zagreb a 36°C, Tirana a 35°C e Bucareste a 33°C, e espera-se que essas temperaturas se mantenham por até cinco dias.

Enquanto isso, a Europa continua a ser devastada por incêndios florestais. Os incêndios destrutivos em França e Espanha mostraram alguns sinais de abrandamento durante o fim de semana, mas vários focos de incêndio deflagraram na Grécia após um período de relativa acalmia.

Um enorme incêndio florestal destruiu mais de 100 casas a noroeste de Atenas e só na última semana arderam mais de 12 mil hectares. No domingo, dois helicópteros de combate a incêndios colidiram na Grécia, provocando a morte de duas pessoas.

Em França, um incêndio na região sudoeste do Var mudou de direção após uma mudança no vento e avançou para uma área florestal de difícil acesso. Um novo incêndio também deflagrou junto a uma autoestrada perto da histórica cidade de Carcassonne, no sul do país.

No centro de Espanha, os incêndios florestais que devastaram dezenas de milhares de hectares na última semana estão em grande parte sob controlo, embora os bombeiros estejam a combater reacendimentos em algumas áreas.

c/agências
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